1# SEES 12.4.13

     1#1 VEJA.COM
     1#2 CARTA AO LEITOR  CHOQUE COM A BARBRIE
     1#3 ENTREVISTA  MARCO AURLIO MELLO  A SOCIEDADE  CULPADA
     1#4 LYA LUFT  NO PODEMOS SER UMA NAU SEM RUMO
     1#5 LEITOR
     1#6 BLOGOSFERA

1#1 VEJA.COM

O BRASIL QUE COMPRA O FRIO
Em seu livro A Riqueza e a Pobreza das Naes, o historiador americano David Landes, de Harvard, descreve o calor como inimigo da prosperidade. Como exemplo, afirma que s depois do advento do ar-condicionado as cidades do sul dos Estados Unidos ficaram ricas. J o Brasil que quer ficar mais prspero tambm gasta  e muito  para comprar seu prprio frio. O vero de 2014 transformou o ar-condicionado em novo smbolo da ascenso da classe mdia. As vendas dobraram em 2013, ainda que diante de preos pouco acessveis. Um aparelho custa, em mdia, 1000 reais, sem contar os gastos com instalao, que podem triplicar essa conta. Reportagem no site de VEJA mostra os cuidados com a escolha e a instalao do equipamento.

EDUCAO NOTA 10
A partir desta semana, o site de VEJA passa a publicar um artigo quinzenal do especialista em educao Joo Batista Arajo e Oliveira, presidente do Instituto Alfa Beto. Ele vai apresentar as estratgias comprovadamente eficazes na melhoria da educao fundamental e explicar a lgica do Prmio Prefeito Nota 10, que indicar a cidade brasileira com a melhor rede pblica de ensino. 

O USURIO GANHA
No ms que vem, chega ao mercado o aplicativo Mova+. Ele vai monitorar a atividade fsica de seus usurios e dar aos mais assduos pontos que podem ser transformados em produtos nos programas de fidelidade. Trata-se de um modelo que ganha fora no segmento. Outros apps oferecem dinheiro como forma de recompensa pela simples utilizao dos programas ou ainda em troca da participao em pesquisas de opinio. Reportagem de VEJA.com explica como funciona esse mercado e destaca os principais apps.

AMEAA  SADE FEMININA
A medicina est cada vez mais atenta  complexidade e s especificidades da sade feminina. A Associao Americana do Corao acaba de lanar as primeiras diretrizes de preveno ao acidente vascular cerebral (AVC) em mulheres. O documento alerta os mdicos para que levem em considerao fatores como gravidez, uso de anticoncepcionais e alteraes hormonais ao definir estratgias de preveno e tratamento. Ele tambm chama ateno para o fato de que as mulheres subestimam o risco da doena. 


1#2 CARTA AO LEITOR  CHOQUE COM A BARBRIE
     Uma reportagem especial desta edio nasceu do susto causado pela fotografia feita no Rio de Janeiro de um adolescente negro, nu, preso a um poste pelo pescoo por uma trava de bicicleta. Ele foi perseguido, espancado e preso por um grupo de jovens da orla que, cansados de ser agredidos e roubados, decidiram fazer justia com as prprias mos. Isso no sculo XXI, no Rio de Janeiro, a cidade brasileira com um dos metros quadrados mais caros do planeta, sede dos prximos Jogos Olmpicos e da final da Copa, vitrine e carto-postal de um Brasil que vinha encantando o mundo pelas recentes vitrias contra a misria endmica, a abismal desigualdade econmica e o crime organizado nas favelas. 
     A imagem do adolescente oferecia um enigma. Ou o Brasil no avanara tanto, ou a foto era montada. Duas realidades to contrastantes no poderiam coexistir. O choque foi constatar que, sim, tudo era real naquela cena, to desumana que j causava repulsa em meados do sculo XIX, quando o alemo Rugendas exibiu na Europa suas gravuras de escravos acorrentados ou sendo acoitados no Brasil. 
     A barbrie do sculo XIX revivida em pleno sculo XXI nos fez refletir sobre a realidade urbana brasileira atual. Aqui as atrocidades se repetem, mas cada novo episdio de crueldade extrema, em vez de aumentar a indignao, tem impacto decrescente sobre a opinio pblica. A reportagem especial, que comea na pgina 48, revela que, a despeito da viso oficial rsea e alienada, em muitos campos o Brasil deixou de avanar ou est at mesmo retrocedendo. A paz urbana que a melhoria econmica traria no se materializou. O Rio de Janeiro, que arrancou favelas inteiras das mos dos bandidos sem dar um nico tiro, est de novo s voltas com criminosos violentos e impunes  com a agravante de a populao agora ter se sentido autorizada a fazer justia com as prprias mos. 
     Milhes de brasileiros tiveram acesso ao primeiro automvel na dcada que passou, mas no podem us-lo em paz por medo de ser assaltados quando esto aprisionados no trnsito infernal das grandes cidades. Tambm se contam aos milhes os brasileiros pobres que voaram pela primeira vez em avio de carreira nos ltimos anos, graas ao aumento da renda e s ofertas das companhias de baixo custo. Sem investimento em ampliao dos aeroportos, porm, o sistema est  beira de um colapso, o preo das passagens disparou e a festa no cu acabou. Recentemente, passageiros que assavam dentro de um jato que se atrasara horas para decolar do Aeroporto do Galeo, no Rio de Janeiro, abriram uma das portas de emergncia e saram temerariamente caminhando pela asa do aparelho. Na semana passada, em So Paulo, em outra demonstrao de impacincia, os passageiros de uma composio do metr que no se movia foraram as portas dos vages e correram pelos trilhos, imprudncia s vista antes em filme-catstrofe de Hollywood. 
     H uma sensao de insatisfao e de desesperana no ar, que se agrava com a atitude quase desinteressada das autoridades, perdidas e sem respostas para o caos que elas no previram e agora insistem em no ver. 


1#3 ENTREVISTA  MARCO AURLIO MELLO  A SOCIEDADE  CULPADA
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral e ministro do STF afirma que mais importante do que reclamar nas ruas da ineficcia dos governos  ir para a urna escolher bem os governantes.
OTVIO CABRAL

Marco Aurlio Mello ocupa a presidncia do Tribunal Superior Eleitoral pela terceira vez desde 1996. Nesse perodo, no viu avanos na qualidade dos polticos, que continuam mais preocupados em se beneficiar dos cargos. Mesmo se considerando um otimista, prev uma eleio marcada pela troca de dossis e aponta um enfraquecimento das instituies nos doze anos de governo do PT. H 24 anos no Supremo Tribunal Federal, ele comemora o resultado do mensalo, mas teme que o julgamento dos recursos reverta boa parte das condenaes: "O quadro me faz lembrar a frase final de um livro de John Steinbeck, O Inverno da Nossa Desesperana: 'Quando uma luz se apaga,  muito mais escuro do que se jamais tivesse brilhado'". 

O senhor foi presidente do TSE em 1996 e 2006 e agora ocupa o cargo pela terceira vez. A poltica melhorou nesse perodo? 
Infelizmente no. Continuamos com candidatos que buscam cargos no para servir  sociedade, mas para se servir dela. 

Nas eleies de 2010 houve 30% de votos invlidos. A insatisfao evidenciada nas manifestaes indica que esse ndice possa ser maior em 2014? 
O local de protesto por excelncia  a urna. O eleitor precisa perceber que o voto dele tem um peso relativo, que  unitrio, mas quando se soma a tantos outros resulta na escolha do representante que praticar atos que repercutiro na vida dele  tenha ele comparecido ou no no dia da eleio. No  mediante a apatia nem o protesto extremado que chegaremos no Brasil a dias melhores. Chegaremos com a participao de todos, escolhendo os melhores candidatos. Mais importante do que o "vem para a rua", que virou moda,  o "vem para a urna". O protesto eficiente no se faz queimando lixeiras, mas participando da vida pblica. 

Nos ltimos meses, houve uma srie de manifestaes no Brasil. Agora, h rolezinhos em shopping centers. A sociedade e as autoridades esto sabendo lidar com essas situaes? 
Aquela crena de que o brasileiro  pacfico  falsa. O brasileiro protesta, sim. A situao chegou a um limite extremo, os servios prestados so to ruins que h um inconformismo generalizado. Mas a sociedade no  vtima quando a situao poltica chega a esse ponto, ela  a culpada. Reclama do governo e se esquece de que quem colocou os polticos l foi ela prpria. A manifestao  uma maneira legtima de mostrar sua insatisfao com a vida nacional. Razes para protestar no faltam. Ainda mais com a carga tributria que temos, que mais parece um confisco. Mas todos precisam perceber que so culpados pela situao. 

O senhor teme que essa campanha seja marcada por troca de dossis e agresses? 
Eu sou um homem otimista. Mas, infelizmente, o que se tem no horizonte  que ser uma campanha conturbada. A o papel da Justia Eleitoral cresce. E me d uma nova preocupao, de que prevalea a tica do minimalismo judicial, da menor interferncia possvel nas campanhas. O Judicirio no pode se omitir e precisa agir para que prevaleam as normas que tentam dar equilbrio  disputa. Equilbrio que j  bastante mitigado com o instituto da reeleio. 

O Supremo vai decidir se pessoas jurdicas podero fazer doaes a candidatos ou apenas pessoas fsicas. O sucesso da campanha do PT para arrecadar dinheiro para pagar a multa dos mensaleiros no  um indcio de que a restrio das doaes beneficiar o partido que estiver no poder? 
O que se aponta  que o fim do financiamento por pessoas jurdicas prejudica a oposio e beneficia aqueles que esto na caminhada para a reeleio. Mas a consequncia no pode ser potencializada em detrimento do meio. O que precisamos saber  se essas doaes esto de acordo com a Constituio. E o que ocorre com essas doaes? Algum doa por causa da ideologia do candidato? No! No podemos acreditar em altrusmo. Essas doaes visam a receber um troco depois que o poltico for eleito, por isso sai carssimo para a sociedade. Eu sou favorvel ao financiamento estritamente pblico, com regras rgidas. Isso acabaria com esse troco, economizaria dinheiro pblico e poria fim a esse trunfo da esperteza. 

O mensalo foi um ponto fora da curva, como definiu seu colega Lus Roberto Barroso? 
Qual seria essa curva? A dos interesses nacionais? A dos direitos constitucionais? Ento o julgamento estava dentro da curva.  uma expresso que no se coaduna com a realidade. O Supremo julgou a partir das provas do Ministrio Pblico. Comeou a se falar que algum teria sido condenado apenas com base no domnio dos fatos. No foi isso, muito embora quem tinha o domnio dos fatos, de fatos que implicavam em ruptura da ordem jurdica, tambm deveria ser condenado como coautor. Estive l o tempo todo, prestando ateno aos votos, e posso garantir que ns julgamos de acordo com as provas. 

Qual a lio desse julgamento? 
Um alerta de que a lei  editada para viger de forma linear, alcanando todos os cidados, inclusive os poderosos. 

O julgamento dos embargos infringentes pode alterar o resultado do mensalo? 
Pode. E, pelas sinalizaes dos atuais integrantes do tribunal,  provvel que venham a ocorrer a reverso da condenao pelo crime de formao de quadrilha, prevalecendo a tese de coautoria; o afastamento da cassao de mandatos, como j ocorreu no recente caso de Ivo Cassol; a diminuio de algumas penas; e o cancelamento da condenao por lavagem de Joo Paulo Cunha. Ento a sociedade ficar decepcionada. O quadro me faz lembrar a frase final de um romance de John Steinbeck, O Inverno da Nossa Desesperana: "Quando uma luz se apaga,  muito mais escuro do que se jamais houvesse brilhado". 

O senhor acha que o julgamento do mensalo mineiro ter o mesmo final do mensalo petista? 
Processo para mim no tem capa, tem contedo. Estarei l para ouvir o relator e o revisor. Votarei de acordo com a convico que firmar. Penso que o tratamento ser o mesmo da ao penal 470. 

A situao das prises brasileiras  medieval. A falta de ao dos governos para melhor-las contribui para o aumento da criminalidade? 
Exatamente. A populao carcerria provisria chegou ao mesmo nmero da populao definitiva, quando se prega na Constituio que s se pode prender depois de assentada a culpa. Mas, no af de dar uma satisfao v  sociedade, transformou-se a regra  o cidado responder ao processo em liberdade  em exceo. Com isso, o Estado no respeita a integridade do preso. As condies so desumanas e no h ressocializao dos presos. Por isso os ndices de reincidncia so altssimos. O preso no sai reeducado para a vida em sociedade. Ele sai embrutecido. 

E como resolver esse problema crnico? 
Defendo a privatizao dos presdios, o que sairia muito mais barato para a sociedade do que o estado atual. 

O PT est h doze anos no poder. Qual o legado que deixa para o pas? 
O legado maior foi o aumento da assistncia social, uma providncia que a meu ver no pode ser tomada como definitiva. Essas bolsas criadas representaram um passo adiante. Mas precisamos ter em mente que o homem necessita acima de tudo de oportunidades. E a oportunidade passa em primeiro lugar pela educao e depois pelo mercado. No s por assistencialismo. 

E quanto s instituies? 
Temos de admitir a realidade: houve um evidente desgaste institucional nesses doze anos de governo do PT. Com ataques inaceitveis ao Ministrio Pblico, ao Judicirio e  liberdade de imprensa. 

O senhor aprova a iniciativa do PT de propor uma Assembleia Constituinte para a reforma poltica? 
H um vcio no Brasil de acreditar que podemos ter melhores dias mediante novas leis. Mas ns no precisamos de novas normas. Precisamos  de homens, principalmente pblicos, que observem as j existentes. 

O senhor est no Supremo h 24 anos. A qualidade do tribunal vem caindo ao longo desse perodo? 
Considero que com a velha guarda o Supremo era mais conservador. Ultimamente, passamos a atuar em temas que eram verdadeiros tabus. Por exemplo: a interrupo da gravidez no caso da anencefalia. Quando eu dei uma liminar afastando a punio  parturiente e  equipe mdica que auxiliasse na interrupo da gravidez, em 2004, a deciso foi cassada. Anos mais tarde, levei o processo de novo ao plenrio, j com um colegiado totalmente diferente, e a votao teve 8 votos a favor. Por isso, digo que hoje  um tribunal mais aberto e menos conservador.  

Alguns advogados defendem a ideia de que os julgamentos de aes penais no sejam transmitidos pela TV Justia. O senhor concorda? 
Tenho de defender a filha bonita: foi em minha gesto na presidncia do Supremo que a TV foi criada. O aspecto positivo da TV Justia  a publicidade das decises. A pessoa que  envolvida em um processo tem a privacidade mitigada, porque pela Constituio o processo  pblico. O sigilo  exceo. Quando envolve homem pblico, que deve contas aos contribuintes, essa publicidade deve ser at maior. Eu no vejo a possibilidade de um retrocesso na transparncia e na transmisso das sesses, o que levaria o Supremo ao campo nefasto do obscurantismo. 

O senhor considera que cenas como as trocas de ofensas entre Joaquim Barbosa e Ricardo Lewandowski abalam a imagem do Judicirio? 
 claro que desgastam a instituio.  normal que em um colegiado com esse gabarito, com essa envergadura, haja discusses de ideias. E que reine ali a impessoalidade. Tenho de admitir que h um desgaste para a instituio. O ministro Ricardo Lewandowski, perante a populao em geral, est muito desgastado depois das colocaes feitas pelo ministro Joaquim Barbosa.  claro que ns no estamos ali para concordar com o relator. Mas, se vamos divergir, ns temos de nos policiar para manter a coisa em um padro elevado. Somos todos iguais, o presidente  apenas um coordenador. E, ao coordenar, deve ser um algodo entre os cristais. O que no vem sendo o caso. 

O senhor acha que Joaquim Barbosa deixar o Supremo para se candidatar a presidente da Repblica? 
Eu acho que ele no deveria sair do Supremo. Mas eu o vejo um pouco cansado do dia a dia do Judicirio. Posso cometer uma inconfidncia porque ele no me pediu que guardasse reserva. Ao entrar para a sesso final do ano judicirio de 2013, ele me disse que j estava participando de uma sesso daquela pela 11 vez. E afirmou que para ele j estava de bom tamanho. Eu respondi que estava entrando pela 24 vez e no estava cansado nem insatisfeito. Por aqui se ventila muito que ele estaria para sair para se candidatar. Que ele seja muito feliz na nova seara. 

Seus crticos gostam de cham-lo de "ministro do voto vencido". Isso o incomoda? 
Jamais incomodou. Eu tenho de reconhecer que a atuao da TV Justia foi muito boa para mostrar  cidadania em geral o meu papel como julgador. Por que fico vencido? Porque eu observo a minha cincia e conscincia e nada mais. E acredito muito que, se h um colegiado,  para cada qual dar a sua colaborao. Eu nunca busco formar na corrente majoritria. O que busco at hoje, e j estou h 35 anos julgando,  a paz com a minha conscincia. 

O senhor tomou vrias decises que foram criticadas, principalmente a concesso do habeas corpus que permitiu a fuga do banqueiro Salvatore Cacciola. Arrepende-se dessa deciso? 
Eu reafirmei a deciso quando o tema voltou ao plenrio, e sempre estive com a conscincia muito tranquila. Se precisasse, tomaria a mesma deciso novamente. 


1#4 LYA LUFT  NO PODEMOS SER UMA NAU SEM RUMO
     Um amigo me telefonou para elogiar um artigo desta coluna porque era "um tom mais otimista do que o habitual". Agradeci, mas na verdade esta no  uma coluna simptica, boazinha:  o meu depoimento sobre o que vejo e sinto no pas ou nesta humanidade que somos. Sou sujeita a erros, enganos, cegueiras momentneas, porque afinal somos todos apenas humanos. Minha preocupao com o que acontece por aqui  intensa, e me esforo para que no sombreie minha vida e meu convvio com as pessoas. No sou pessimista: tento ser realista. E fao aqui, num jogo no muito bom de palavras, uma breve "lista" de acontecimentos e atitudes que me assustam. 
     Por toda parte pipocam manifestaes, e no me digam que resultam da felicidade do povo com melhorias de vida, que agora quer mais benefcios... no  permitido neste momento  grave tapar o sol com nenhuma peneira, nem mesmo dourada. Descobrimos que podemos nos manifestar, e nos manifestamos, o que  timo,  democrtico (nem sempre pacfico...). Protestar  questo de respeito prprio. Muitos desses protestos terminam em violncia, e no  meia dzia de vndalos: boa parte deles participa desde o comeo, abertamente mascarada e bem preparada para o que vir. Vidraas de lojas, bancos, invaso de hotel, farmcias, nada escapa  destruio. Temos reais punies para isso? Ingenuidade, inocncia ou desviar os olhos neste momento  ruim. Os protestos se multiplicam, junto com tantas greves, que parece que tudo vai parar. Dilogos no funcionam, exigncias so incorretas ou excessivas, autoridades ignoradas ou atnitas, ordens judiciais descumpridas. 
     A democracia, nosso fundamento,  difcil. Vivemos num estado de anarquia, pronunciou-se uma desembargadora. E queimam-se nibus a torto e a direito: porque falta luz, gua; porque as inundaes so rotina e novamente perdemos tudo; porque esperamos horas com filho febril no colo e no somos atendidos; porque a conduo  pssima; porque algum foi morto; porque algum foi preso; ou simplesmente porque perdemos a pacincia. Fica a indagao: por que destrumos tantos nibus, prejudicando o j to maltratado povo? O que haver por trs disso? 
     Um bando de torcedores de um clube de futebol invade a sede, os jogadores conseguem se esconder, um deles quase  surrado mas ainda escapa para junto dos colegas. Os bandidos, pois so bandidos, rendem um funcionrio, quebram, roubam. Reao do clube? Apenas, que eu visse, no primeiro momento, o treinador explicando: "Os jogadores se esforaram muito..." Claro que no jogo seguinte o time perdeu. Imagine-se a condio psicolgica dos atletas, que at em casa recebem telefonemas ameaadores. Se no tomarmos cuidado, se no houver punio rpida, e concreta, vira mais uma moda e perdeu-se o sentido do esporte. 
     Destruir bens pblicos ou privados ou machucar pessoas raramente d punio: os criminosos so logo soltos, ou tratados como vtimas (menores quase so pegos no colo, e policiais crucificados). Quadrilhas de bandidos comandam as cidades, a populao est desamparada. Por que ningum se interessa? No! Porque as leis so anacrnicas ou descumpridas, na lenincia geral, e a Justia acaba favorecendo o criminoso. 
     Mensaleiros condenados, se presos, continuam em redes sociais, atuam, aparecem na mdia, quase heris. 
     Na sade, de situao surreal, trazer mdicos estrangeiros  fico: o que falta so condies mnimas para um mdico srio trabalhar. Muitas vezes no h leito, gua, uma aspirina para dar aos pacientes. Na economia, nem me atrevo a falar. Vejam os dados reais. 
     Na educao estamos entre os piores do mundo: creio obstinadamente que investir em educao (que  sempre a mdio prazo)  essencial para sair desse atoleiro. Mas precisamos melhorar logo, sem comisses inteis, sem projetos impossveis  a fim de que o pas no lembre uma grande estrutura desconjuntada, com passageiros inertes ou alegrinhos, apavorados, aproveitadores ou descrentes, numa nau sem rumo sobre um mar de naufrgio. 
LYA LUFT  escritora


1#5 LEITOR
JOS PADILHA E O ROBOCOP 
Eu no acreditava nos filmes brasileiros. Mas, quando vi Tropa de Elite, mudei a minha viso crtica, porque a produo desse filme provou a capacidade cinematogrfica brasileira. Tropa de Elite 2 reforou essa boa sensao. Agora leio sobre RoboCop, tambm dirigido pelo cineasta brasileiro Jos Padilha, e a minha expectativa do sucesso que esse filme ter  ainda maior ("Preo duro", 5 de fevereiro).  de profissionais como Jos Padilha que o Brasil precisa. Temos de aprender a valorizar os talentos que existem em nosso pas, e isso acontece quando prestigiamos, vemos e analisamos criticamente as produes cinematogrficas. 
PAULA REGINA COSTA DE OLIVEIRA 
So Paulo, SP 

No sou um crtico estudado para falar sobre cinema, porm posso afirmar que sou f do trabalho de Jos Padilha desde Tropa de Elite. Lendo a reportagem sobre a releitura de RoboCop, senti orgulho em ter um brasileiro no mais alto escalo do gnero, que no foge nem tem vergonha de afirmar de onde vem. Num ano de eleies, o trabalho de Jos Padilha deveria servir de exemplo para nossos polticos e gestores pblicos. 
GUSTAVO FERREIRA NETOS 
Sorocaba, SP 

Oramento cumprido  risca, projeto entregue conforme o cronograma. assessores competentes e comprometidos e obra  aprovada sem alteraes. Jos Padilha poderia ser candidato  Presidncia em 2014. Acho que ele  uma boa referncia para nossos polticos. 
MARCOS TORRETTA 
Santos, SP 

Filmes de ao, em sua maioria, so tolos e descartveis. RoboCop no deve fugir  regra: muita pancadaria, efeitos especiais de ltima gerao e nenhum contedo. VEJA desperdiou dez pginas para destacar um filme que se diz "brasileiro", mas foi rodado inteiramente nos EUA e nada tem a ver com a nossa realidade. 
JOS EDICLEI SILVA 
Palmital, SP  

VEJA revela um brasileiro que d orgulho  nao: Jos Padilha. Fica evidente a postura filosfica e humanista do cineasta, que vem mudar o olhar humano pela mente. 
MARA LCIA SANDER SOPRANA 
Itapema, SC  

CLUDIO DE MOURA CASTRO 
A quantidade de contedo que os alunos estudam  absurda e vai contra a essncia da educao. O articulista Cludio de Moura Castro nos desafia a pensar quem pode fazer uma reforma nos contedos e ementas escolares. Eu vejo o Enem com poder para isso. Com a nova proposta de democratizar e universalizar o acesso ao ensino superior, ele pode ser uma grande referncia para que os professores repensem suas aulas. Se  para aprofundar e aplicar os conhecimentos, por que o MEC, ento, no aproveita o Enem para avaliar somente aquilo que vale a pena e, assim, desafiar nossos educadores a inovar os contedos? 
LUCAS DE MOURA DUARTE 
Belo Horizonte, MG 

LYA LUFT
O artigo "A violncia no  uma fantasia" (29 de janeiro) expressa o que eu penso sobre os acontecimentos nos grandes e pequenos centros do Brasil. Como Lya Luft, acho que isso nada tem de engraado e natural. Por coincidncia, li num livro da escritora italiana Susanna Tamaro que hoje falta dilogo entre as pessoas, na famlia, na escola, no dia a dia. Nem os programas de televiso so um estmulo saudvel. Essas faltas deixam os jovens vazios, com sentimento de inutilidade, e geram a falta de educao, a revolta e a violncia. 
GERDA NAGELI 
So Paulo, SP 

ROBERTO ROMPEU DE TOLEDO 
O artigo "Rolezinho em Lisboa" (5 de fevereiro)  de uma estarrecedora realidade. Estamos vivenciando a era soberbamente mais medocre da histria republicana brasileira. Esse "desgoverno" no percebeu ainda o desastre que vem inserindo nas prximas geraes de brasileiros. Nossos futuros adultos esto se educando sob a gide da imoralidade, da falta de tica, de limites, de honra e do espirito pblico compromissado com o bem da populao. O que vale  roubar, corromper, esconder, ou melhor, no saber de nada. E a nao que v s favas. Esse  o terrvel legado do formato de poder gerado dos esgotos do PT. Precisaremos de boas dcadas de vida para tentar reverter esse cncer da memria brasileira. O aluguel em Nova York  emblemtico. Todos sabem. Todos discordam. Mas ningum faz nada. E tudo continua a se perpetuar na pocilga dos petistas. Que venham, por favor, novos ventos sobre este pas. 
CARLOS ANTONIO FERREIRA PEREIRA 
Belo Horizonte, MG 

A maneira como o dinheiro pblico brasileiro tem sido usado e gerido pela presidente Dilma e seus aliados causa, no mnimo, espanto. Sinaliza que o foco no  o investimento no pas, muito menos nos servios essenciais para o atendimento da populao. Ao contrrio disso, a presidente tem apoiado ditaduras em outros pases e suportado os prazeres pessoais e extravagantes de consumo dela e da sua equipe. Enquanto isso, a vida e o futuro dos brasileiros ficam lanados  sorte, com expectativa de desenvolvimento compatvel com o nvel dos seus governantes. 
WILIAM TABCHOURY 
Piracicaba, SP 

Durante a semana li textos de vrios jornalistas criticando, como no poderia deixar de ser, a parada secreta da presidente e de sua ridcula comitiva em Lisboa. Mas nenhum com a inteligncia e o fino humor de Roberto Pompeu de Toledo. Hilrio! 
HENRIETTE GRANJA 
Rio de Janeiro, RJ 

AGRICULTURA 
Sobre a reportagem "Negcios ministeriais" (5 de fevereiro), gostaria de esclarecer: 1) A BR Frango construiu frigorfico em Santo Incio (PR) com 70 milhes de reais do Banco do Brasil e do BNDES. Funcionou, por seis meses, com menos de 10% da capacidade. Em maio de 2012, em estado falimentar, recebeu 10 milhes de reais do Banco do Brasil e paralisou as atividades em julho; 2) Devendo mais de 100 milhes, com frangos morrendo nos avirios e funcionrios em greve, em 2012, procurou socorro junto ao Grupo Averama, proprietrio de dois frigorficos, para o qual passou a gesto. A BR Frango registrou na Junta Comercial sua mudana para Maring; 3) A Averama contraiu emprstimo de 18 milhes junto ao BB, dando imveis dela em garantia, ps a indstria para funcionar, empregou 700 funcionrios e habilitou o frigorfico para exportao; 4) Reinaldo Gomes de Moraes, da BR Frango, contrariando os demais scios, invejando o sucesso, apesar de ter feito negcio irrevogvel com a Averama, procura retomar o frigorfico, dando calote de vrias dezenas de milhes de reais nos bancos pblicos, com pedido de recuperao judicial em que prope pagar s 50% das dvidas, e isso em vinte anos; 5) Como deputado federal, junto a outros deputados, fomos procurados por representantes do municpio e do estado preocupados com o desemprego, caso a Averama se retirasse da indstria  o que terminou acontecendo; 6) Alertamos as autoridades sobre o iminente calote no BB e no BNDES; 7) O registro no Ministrio da Agricultura, a BR Frango transferiu para a Averama. No  o ministro ou este deputado que impedem o retorno 

para a BR Frango. A Advocacia-Geral da Unio, no pedido da BR Frango, deu parecer contrrio. O que a BR Frango precisa fazer  cumprir a lei. 
OSMAR SERRAGLIO 
Deputado federal (PMDB-PR) 
Braslia, DF 

PORTO CUBANO 
O artigo "Se  bom, por que  secreto?" (5 de fevereiro)  claro, preciso e conciso. A indigente economia e principalmente a ditadura marxista-leninista j seriam elementos suficientes para impedir o investimento no Porto de Mariel, em Cuba. A inteno de justificar o injustificvel pe o governo petista frente a frente com novo escndalo. O amor incondicional de Dilma Rousseff pelo comunismo no lhe permite fazer cortesia com o chapu alheio. Grande parte das centenas de milhes de dlares do BNDES, por certo, fez a alegria da famlia Castro. O cidado cubano nunca precisou de um porto, mas sim de coragem para pr um fim  vergonha em que vive. H um limite para tudo. Dilma Rousseff esgotou o limite da pacincia brasileira e dever responder imediatamente por mais essa improbidade. Em ano de eleio, nada melhor que um elaborado processo de impeachment para dar cabo de mais uma aventureira. 
CARLOS ALBERTO LIMA 
Florianpolis, SC 

Pena que os nossos deputados e senadores, e at mesmo os tribunais federais, fiquem passivos diante de tal situao, nada fazendo para investigar os detalhes dessa operao. Ser que o povo tambm continuar colaborando nas prximas eleies para que a situao no mude? 
FERNANDO SMITH 
Belm, PA 

 nauseante a expresso de embevecimento da presidente Dilma Rousseff diante do senil ditador cubano Fidel Castro. Enquanto o governo  generoso no financiamento do Porto de Mariel, nos repasses aos "mdicos cubanos" etc.. penamos com nossos hospitais, escolas, estradas, portos... 
ROGER CAHEN 
So Paulo, SP 

Eu, como a maioria da populao brasileira, contribuinte de forma direta ou indireta, exijo uma explicao convincente da nossa presidente sobre os perdes concedidos (sempre a pases suspeitos) e emprstimos muito mal explicados, pois, se no temos o direito de saber onde esto enfiando o dinheiro arrecadado, no nos sentimos na obrigao de recolher mais tributos. A adeso de todos os que se acharem enganados  bastante importante, porque, quando o governo sentir a diminuio da arrecadao, dar mais valor ao dinheiro que  de todos os cidados e o qual tem a obrigao de aplicar de forma correta e transparente. 
ADONES HOFFMANN 
Vilhena, RO 

CARTA AO LEITOR 
VEJA bem retrata a imagem do nosso pas na Carta ao Leitor "O PAC funciona. Em Cuba" (5 de fevereiro) quando diz que perdemos a oportunidade de demonstrar ao mundo que o Brasil  diferente de naes inviveis como Venezuela e Argentina. Acontece que, no atual governo, no somos diferentes delas, porque estamos sendo empurrados para a inviabilidade. Tinha razo o general Paulo Chagas ao dizer que "vivemos no pas da impunidade, onde o crime compensa e o criminoso  conhecido, reconhecido, recompensado, indenizado e transformado em heri". 
CLOVIS DO VALLE 
Por e-mail 

 bom, sensato e louvvel reconhecer e lembrar que o desenvolvimento, o crescimento e a melhora da renda dos brasileiros se deram pela estabilidade da moeda e das reformas feitas pelos governos Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso, aps o ano de 1994, com a criao do Plano Real. No entanto,  vergonhoso saber que o Brasil gasta milhes para construir um porto em Cuba e milhes para construir estdios de futebol, enquanto brasileiros morrem em corredores de hospitais e em acidentes de trnsito. E saber que, por falta de educao de qualidade, grande parte dos brasileiros no sabe que trabalha 150 dias por ano s para pagar essa conta. Nunca antes na histria deste pas se viram tanta incompetncia, corrupo, mensaleiros, sanguessugas e irresponsabilidade com o dinheiro pblico que corroem o suor de quem trabalha. E, por fim, eu me envergonho da oposio, que assiste a tudo isso de camarote. 
ANTONIO ANZINI 
Joinville, SC 

DENGUE 
Excelente a reportagem "A epidemia secreta" (5 de fevereiro), sobre o caos de nossa sade pblica, sempre atrelada aos interesses dos grandes. Ento, ns, brasileiros, podemos nos contaminar com a dengue pela incompetncia de nosso ministro da Sade ou pelo constrangimento de nosso ministro dos Esportes. Temos de esconder os nossos problemas de sade por causa de interesses maiores, no caso a Copa do Mundo no Brasil? Enquanto no aplicamos o "nosso" dinheiro na sade de nosso povo to sofrido, a nossa querida presidente viaja por a para comer bacalhau em Lisboa e inaugurar portos em Cuba. Este, senhoras c senhores,  o pas da Copa e da Olimpada, de que ns tanto nos orgulhamos? 
WlLl.lAM M. LOURENCO 
So Pauto, SP 

LUIZ FELIPE DAVILA 
Parabns pela entrevista com o cientista poltico Luiz Felipe dAvila ("Procura-se um estadista", 5 de fevereiro). Muito oportuna para o momento atual que vivemos no Brasil. Recomendo a todos os brasileiros que dediquem alguns minutinhos  leitura e  reflexo do tema abordado, em busca de reformas institucionais sem as quais estaremos condenados  mediocridade. 
MARIA HELENA MARAZINI 
Curitiba, PR 

Correo: no quadro da reportagem "Vai, sim. Mas vai ser cara" (5 de fevereiro), os nmeros sobre o custo por cadeira nos estdios foram citados sem a referncia "em mil reais".

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1#6 BLOGOSFERA
RADAR
LAURO JARDIM
APPLE 
A loja da Apple que ser inaugurada no Rio, a primeira do pas, no foi aberta ainda porque no preencheu o seu quadro de pessoal. A nova data para a inaugurao  15 de fevereiro. www.veja.com/radar 

COLUNA 
FELIPE MOURA BRASIL 
HOFFMAN 
Philip Seymour Hoffman, assim como Jimi Hendrix, Jim Morrison, Kurt Cobain e outros, foi um grande talento apesar das drogas, no por causa delas. A nica droga que causa overdose de talento  a dedicao. As outras s o aniquilam. www.vga.eom/feKpemoirabrasi 

COLUNA 
RODRIGO CONSTANTINO 
APAGO
Voc s sabe que a coisa  real e sria quando uma autoridade do governo aparece na grande imprensa para neg-la. Foi assim com o apago da semana passada. www.veja.com/rodrigoconstantino

NOVA TEMPORADA 
FERNANDA FURQUIM 
HOUSE OF CARDS 
Dez dias antes da estreia da segunda temporada de House of Cards, o site Netflix anuncia a renovao da srie. A previso de estreia  para 2015. www.veja.com/temporada 

QUANTO DRAMA
EM FAMLIA
Em novela de Manoel Carlos, h sempre uma certeza: haja o que houver, a Helena ser culpada de alguma coisa. O autor nunca hesitou em dotar suas protagonistas de atitudes questionveis, atpicas para uma herona. Com Em Famlia no ser diferente. Quanto drama essa Helena foi capaz  de aprontar apenas nos  captulos iniciais! Fez um  pacto de sangue demod com o namorado  lembremos que a novela se passa nos anos 80 , sexo sem preveno a gravidez e, principalmente, brincou com o amor de Laerte e Virglio, num jogo que vai acabar numa tentativa de assassinato.
www.veja.com/quantodrama 

SOBRE IMAGENS
TERRY FINCHER
Ainda garoto, o britnico Terry Fincher (1931-2008) decidiu que seria fotojornalista. Conseguiu uma vaga de office boy na agncia de fotografia Keystone e passava o dia entregando fotos nos jornais londrinos. Com a cmera que ganhou da me, aos 16 anos, fez um flagrante nas ruas de Londres que foi publicado em trs jornais importantes. No incio dos anos 1950, a Keystone o contratou. Fincher comeou ento a carreira que o transformou em um dos mais premiados e reconhecidos fotgrafos britnicos, www.veja.com/sobreimagens

SOBRE PALAVRAS
HEXACAMPEO
No vai ser fcil transformar o sonho em realidade, mesmo contando com o brilho de Neymar e mesmo jogando em casa, mas no importa: a simples possibilidade do hexacampeonato ser suficiente para garantir certo desentrosamento na equipe brasileira. No, no estamos falando de futebol. Estamos falando de prosdia. O fato  que a ortopia (palavra que significa simplesmente boa pronncia) de hexa, elemento de composio proveniente do grego hks (seis), est longe de ser pacfica. A pronncia mais empregada  a preferida do dicionrio Aurlio: heza. No entanto, a mais correta seria bem diferente, segundo o Houaiss: heza. E agora? O hexa que o Brasil disputar em seus prprios gramados dentro de poucos meses deve ter pronncia semelhante a oxignio (o que se espera que no falte ao time de Felipo) ou seria melhor que soasse como xito (idem)? www.veja.com/sobrepalavras 

* Esta pgina  editada a partir dos textos publicados por blogueiros e colunistas de VEJA.com


